Sucesso de público e crítica Roberto Zucco sai de cartaz no próximo domingo.
O drama, produzido pela Cia. de Teatro Os Satyros, a partir da obra de Bernard-Marie Koltès, está em cartaz no Espaço dos Satyros Um.
Após quatro meses em cartaz, o espetáculo Roberto Zucco, que estreou em 13 de agosto no Espaço Satyros Um, se despede no dia 19 de dezembro, sem previsão de retorno no próximo ano. Devido ao sucesso de público e crítica, a temporada, que em princípio era de sexta a domingo, foi estendida para quinta a domingo. Cerca de 3 mil pessoas já conferiram a peça.
“Roberto Zucco” foi escrita em 1988, inspirada em fatos reais, tratando dos últimos momentos da vida do serial killer italiano Roberto Succo, que provocou grande comoção na sociedade francesa. Trata-se da última peça escrita por Bernard-Marie Koltès e é considerada sua obra-prima. A primeira montagem do texto só aconteceu após a sua morte. A peça estreou no Schaubühne (Berlin-Alemanha) em 1990.
Zucco é um protagonista mítico atípico, um anti-heroi que desafia nossos conceitos morais. A personagem não é construída a partir de um perfil psicológico consistente, mas da ideia de que Zucco é uma força trágica em cena, cuja essência é reconhecível, humana e imponderável.
A obra de Koltès traz uma série de questionamentos sobre a moralidade nas sociedades pós-modernas. Zucco, a personagem principal, carrega a dor da incomunicabilidade e o isolamento emocional típico da vida contemporânea, ela se encontra em movimento como “um trem desgovernado”.
Não é uma personagem com estrutura psicológica que se conhece da dramaturgia realista. Trata-se, isto sim, de um movimento, de uma pulsão em rota de colisão contra outras pulsões. Zucco não domina as conseqüências de seus atos assim como não domina seu destino. Sua hybris é o do “trem descarrilhado”, que segue sem controle em direção ao futuro inevitável: a morte.
Bernard-Marie Koltès
Bernard-Marie Koltès nasceu em uma família burguesa em Metz, na França. O pai, militar, vivia nas guerras francesas nas ex-colônias (Indochina, Argélia) e ficava longos períodos longe da terra natal, o que, provavelmente, despertou no jovem a paixão por tudo o que fosse estrangeiro.
Após ter assistido a uma apresentação de Maria Casarès como Medeia, com a idade de 20 anos, ele acaba se apaixonando pela arte teatral e entra no curso de cenografia do Teatro Nacional de Strasbourg, no início dos anos 1970. Em alguns anos, já realiza uma série de montagens no Teatro Nacional.
Começa a escrever para o teatro e monta seu próprio grupo, chamado «Théâtre du Quai». Na ocasião, escreve «A Herança», que seria lida para o rádio pela própria Maria Casarès. Passa um período no Partido Comunista, entre 1974 e 1978. Nessa época, acaba por realizar inúmeras viagens pela América Latina, África e Estados Unidos. Conhece o Brasil e fica encantado com a cidade de São Paulo, «a Nova York do Terceiro Mundo », em especial com a Boca do Lixo, a Rua Augusta e a Praça Roosevelt.
Em 1977, apresenta no Festival de Avignon «A Noite Antes da Floresta». No início dos anos 80 conhece Patrice Chéreau, então já renomado diretor francês e a parceria entre os dois será considerada uma das mais notáveis da história do teatro. Nessa década, Koltès escreve e Chéreau dirige os seguintes espetáculos : «Cais Oeste», «Na Solidão dos Campos de Algodão», «Tabataba» e «Retorno ao Deserto».
O avanço dos sintomas da AIDS faz com que Koltès se afaste do convívio social e passe a escrever em condições cada vez mais difíceis. Em 1988, escreve «Roberto Zucco», sua obra-prima e último trabalho. No inverno de 88/89, conhece Lisboa, onde é rodado um documentário sobre ele. Poucos meses depois, morre em consequência da doença, em Paris.
SINOPSE
A peça, escrita no final dos anos 1980, é considerada uma das maiores obras do teatro contemporâneo. Conta a história de um serial killer e é inspirada em fatos reais.
FICHA TÉCNICA
“Roberto Zucco”
Texto: Bernard-Marie Koltès
Direção, tradução, adaptação e iluminação: Rodolfo García Vázquez (Prêmio Melhor Direção- APCA 2010)
Assistente de direção: Vanessa Guillen
Direção e Produção de vídeo: Luciana Ramin
Trilha Sonora: Ivam Cabral
Cenário: Marcelo Maffei
Figurino: Lori Ann Vargas
Elenco: Robson Catalunha, Cléo De Páris, Julia Bobrow, José Alessandro Sampaio, Maria Casadevall, Elaine Grava, Dyl Pires, Diney Vargas, Victor Lucena, Priscilla Leão, Katia Calsavara, Marcio Pellegrini, Cristiano Dantas, Thadeo Ibarra, Cláudio Wendel, Ricardo Campanille, Renan Pena, Aline Leonello e Julia Ornelas.
Programação visual: Rodrigo Meneghello
Fotos do programa: Rodrigo Meneghello
Tratamento de imagens e animação: Luciana Ramin e Ricardo Campanille
Retrato Falado: Claucio Wendel
Tema composto: “Sem você”, intérpretes criadores: Cristiano Dantas, Ricardo Campanille, Claudio Wendel e Aline Leonello
Operação de luz: Leo Moreira
Operação de som: Igor Augusto
SERVIÇO
Local: Espaço dos Satyros Um
Endereço: Praça Roosevelt, 214
Telefone para contato: 11 3258 6345
Horário: quintas, 20h sextas e sábados 21h, domingos 18h30
Ingressos: R$ 30,00, R$40 (aos sábados)
Duração: 80 minutos