A Orkutização da Europa
Adoro falar sobre globalização porque ela é inevitável e, querendo ou não, o mundo será nivelado por baixo pela economia da China e pela cultura pop de todos os países.
Voltei das férias, depois de dias desconectada até mesmo da TV, e descobri surpresa que Michel Teló tornou-se uma das celebridades mais elogiadas e execradas – simultaneamente - nesse verão.
O grande Alex Paim, que além de jornalista é comediante e redator de humor, publicou no Twitter uma idéia sensacional: “Michel Teló é a orkutização da Europa”. Recentemente, publiquei um artigo falando sobre o termo “Orkutização” e a dificuldade de localização e alcance do público alvo dentro das mídias sociais. Basicamente, o que se populariza perde o brilho, o encanto e a graça, por isso as massas migram para novas paragens, mas continuam representativas no mercado de consumo.
Michel Teló é um excelente músico. Quem conhece um pouco de sua história sabe que ele está há anos na estrada e que, além de cantor, é compositor, dançarino e instrumentista de sanfona e gaita. Ele é afinadíssimo e sabe muito bem a diferença entre música boa em música ruim. Mas esse moço faz parte da indústria do entretenimento, cuja finalidade ó obter o máximo de alcance de público consumidor. Emplacar um sucesso significa lucro, muito lucro. Se o produto oferecido exigir muito raciocínio e cultura, acaba restringindo o público alvo e impedindo o ganho em escala. Erudição custa caro e não tem apelo para os consumidores.
A música “Ai se eu te pego”, de Michel Teló, já superou Adele e Coldplay em países como Espanha, Bélgica, Itália, Holanda e Suíça. O hit já conquistou o primeiro lugar entre as músicas mais baixadas do iTunes. Também é a canção brasileira com maior número de visualizações do Youtube, com mais de 100 milhões de acessos. Com a versão em inglês, intitulada "Oh, if I catch you", o próximo alvo é a terra do Tio Sam.
E como fica a produção cultural, se um músico, com o talento do Michel Teló, lança um disco para ganhar dinheiro e o público que consome sua música só quer diversão barata e “pegar” na balada? A Revista Época publicou uma matéria de capa sobre o cantor, onde afirma que “ele traduz os valores da cultura brasileira”, ora, cultura é transmissão de conhecimento, valores, informações entre gerações, tradições, princípios e ideais, cadê tudo isso em suas estrofes de rima fácil? Estaria a cultura brasileira fadada ao deboche, como o da careta da foto lá de cima?
Se pararmos para analisar hits internacionais, que pipocam diariamente nas rádios, com batidas arrebatadoras e refrãos que grudam na mente, veremos que a produção brasileira está dentro do padrão estabelecido para consumo imediato e global, portanto, não é de causar espanto o sucesso que o Mr. Teló está fazendo lá fora.
Todo tipo de arte que sobreviveu ao longo de séculos de história têm uma coisa em comum: relevância. Tudo o que foi criado para consumo imediato morreu da forma que nasceu: sem muito esforço.
Podem torcer o nariz – com razão – mas nada vai impedir que fenômenos populares se espalhem pelo planeta na velocidade de um click e, cá entre nós, mérito de quem tem visão de mercado para fazer fama e fortuna com isso, e podem ter certeza de que estão.
Quanto aos amantes da arte, conformem-se com o pouco trigo que encontrarem em meio ao joio.

Ana Moura! Chegou chegando das férias com os dois pés no peito. Azar de quem não gostar de ouvir verdades. Parabéns pela visão. Obrigado pelo ótimo texto. Não conheço a trajetória desse cara, mas detesto isso. Pra mim ele só tem essa música e vai sumir tão rápido quanto apareceu!
ResponderExcluirSeja bem vinda!
bjbj
Seja muito bem vinda ao ano 2012 ,,,e vc chegou com todo o seu saber e atualização do tema globalização com muita felicidade na exposição do tema . E sobre a música considersmos que todo o sucesso tem uma razão de ser ...mas o que mais caracteriza um sucesso é a sau perpetuação nos anos seguintes . Vamos ficar ligados para comprovar o sucesso ,,,,,Aí se eu te pego ,,e se perpetuo !!!
ResponderExcluirFELIZ 2012
ANTONIO CARLOS TERRERI
Ao meu ver essa globalização se deu devido a ajuda dos futebolistas famosos, que ao meu ver ditam moda, sobretudo, para os que não tem condições de explorar suas próprias sensibilidades. Haja vista, que "Agora" o mundo se atentou para esse ritmo, talvez, emplaque grupos como É o Tcham, e milhares de músicas com o refrão viciante com seus acordes e letras de arrepiar. Estou comentando, porém, sou totalmente alheio, pois sou totalmente visual, não consigo "apenas" ouvir música, logo, estou sempre blindado do sucesso imediato como o Teló e outros sertanejos e axés e funk e rap eticéterra.... Mas, sempre respeitando o gosto de qualquer um, mas, o que se deveria entrar definitivamente em voga é o FONE DE OUVIDOS. é isso. Adorei o texto, como sempre! Abraços e sorrisos
ResponderExcluiro que dizer?? assno em baixo!! alexenium@hotmail.com
ResponderExcluirConheço inúmeras músicas da Terra do Tio Sam, onde encontramos apenas meia dúzia de palavras e o resto é só aquele "beefed-up sound" Intermitente e repetitivo bate-estaca para alegrar a moçada baladeira.
ResponderExcluirPúblico seleto e aculturado é a minoria e não desperta o menor interesse de certos artistas que desejam se locupletar no menor espaço de tempo possível e garantir o seu sustento por um grande período de tempo.
Foi isso que surgiu na minha mente nesse momento, se eu estiver enganado/equivocado que me perdoem!
Ah, se eu te pego, Ana! ha ha ha